IMPRESSÕES SOBRE AS DERROTAS DO PMDB-GO – II

Se até a realização das eleições prévias, em março de 2006, o PMDB tinha acertado, a partir daí, o partido começou a errar, e o primeiro erro foi cometido por Maguito, quando insistiu com Frederico Jayme para se afastar do TCE, para disputar, na convenção de junho, a indicação para ser o candidato a vice-governador.

Não que Frederico não tivesse as credenciais para tanto, mas exatamente por ter vontade política e ser um político determinado, sua entrada no processo tornou-se um fator determinante do maior erro cometido, em seguida, que foi o de não celebrar coligação com o PT/PcdoB/PSB. Frederico aceitou o desafio e partiu para as bases, buscando apoio para compor a chapa majoritária. Com enorme apetite, lançou mão de um discurso proferido muitas vezes por Maguito, de que o vice teria que ser alguém de Anápolis, o que o fortalecia e dificultava, cada vez mais, uma coligação com o PT.

Com o ingresso de Frederico, Iris Rezende, que não via, com bons olhos, a sua candidatura, instigou Mauro Miranda a também postular a vaga. Marcelo Melo e Luiz Bittencourt também ensaiaram postular o cargo, mas não foram adiante. O jogo começou a embolar, o PMDB continuou a errar.

Maguito e eu, já escolhidos nas prévias, apoiávamos expressamente Frederico, sob o argumento, equivocado, de que Anápolis deveria ser contemplada na chapa, mas, no fundo, trabalhávamos pela coligação com o PT. Erro crasso dos dois. Ao mesmo tempo em que dizíamos querer a coligação, trabalhávamos, na prática, contra ela, pois fortalecíamos o candidato que mais se impunha, também como renovação e combatividade, perante as bases. Ao mesmo tempo Iris Rezende trabalhava, com unhas e dentes, para impedir a presença de Frederico na chapa. Mauro, seu “candidato” passou a trabalhar junto às lideranças do interior. O embate só dificultava a coligação, que era, no fundo, desejada pela maioria dos dirigentes municipais.

Aproximando-se a data da convenção, a confusão reinava nas hostes peemedebistas. Percebendo, então, o equívoco, mas já muito tarde, passei a defender, ostensivamente, a coligação, chocando-me com o projeto de Frederico, o que veio a custar-me, durante toda a campanha, a indiferença do inexpressivo PMDB de Anápolis, município onde recebi a pior votação.

Maguito, entretanto, manteve o comportamento dúbio. Nesse passo, as tratativas com o PT e com Barbosa Neto caminhavam com dificuldades postas também pelas divisões internas do PT, e pelo projeto pessoal de Barbosa.

Iris Rezende, nessa quadra, apóia a coligação com o PT, mas não com a determinação que poderia. Além disso, preferia Barbosa na vice, mas este não consegue se impor junto ao PT. Mauro mostra-se disposto a recuar, mas aposta no confronto e mantém as esperanças de vencer Frederico em votação na convenção. Bittencourt recua e Marcelo tenta, com Adib, melar o jogo. Mauro também ameaça ir à convenção, mas, só na última hora, quando então Maguito endurece, como não endurecera antes, em defesa da coligação.

Maguito fica dividido. Quer a coligação, mas teme um racha do partido. Quer agradar a todas as correntes, e acaba por descontentar todo mundo.

O PT não colabora, pois Rubens Otoni, não se sabe até hoje o real motivo, insiste em não querer ser o vice. Adib coloca seu projeto pessoal futuro acima de tudo, e trabalha contra a coligação e também contra Frederico. Qualquer das duas hipóteses lhe tiraria, pensa, a chance de ser candidato em 2010. Frederico trabalha com inteligência, quer a vice, mas não afronta Maguito publicamente. Iris Rezende, porém, veta Frederico, mas só nos bastidores. A indicação, precipitada, do nome de Valdi Camárcio, pelo PT, é o que os adversários da coligação mais queriam: um motivo para rejeitar a coligação.

Nas vésperas da Convenção de junho de 2006, os adversários da coligação, Adib à frente, emparedaram Maguito, inclusive com ameaças de apoio a candidatura de Demóstenes Torres, do então PFL.

Os defensores da coligação, dentre eles a maioria dos prefeitos, Naudiomar Elias, de Piracanjuba, Marcelo Coelho, de Goiatuba, Gilmar Alves, de Quirinópolis e eu, confiantes na firmeza de Maguito, não agimos com a mesma determinação dos adversários. Ficamos de certa forma omissos, acreditando que Maguito imporia sua vontade, o que não aconteceu. O certo é que Maguito capitulou.

Ai surgiu o nome de Onaide, que atendia ao requisito de ser de Anápolis, e não tinha o veto explícito de Iris Rezende, como tinha Frederico. A articulação partiu de Adib. Frederico foi obrigado a aceitar Onaide, de quem sempre tivera o apoio para sua pretensão. Não tinha como se opor, e, a contragosto, capitulou também. Iris Rezende lavou as mãos, aceitando o nome de Onaide, articulado por Adib, que acabou sendo o grande vitorioso na formação da chapa, pois vetou o nome do PT, viu Frederico excluído, tendo na chapa uma candidata à vice inexpressiva e frágil, incapaz de qualquer projeto político futuro. Mas foi, também, o maior derrotado no final do processo.

Aí começou a nascer a derrota do PMDB, a terceira, a segunda de Maguito.

Formada a chapa pura, o que se conseguiu depois foi apenas a coligação com o PDT/PSC/PTC/PRONA, assegurando um tempo melhor no programa eleitoral, mas bem menor do que seria possível se tivesse havido a coligação com o PT. Começaria, em seguida, a campanha propriamente dita. Com o seu início, o segundo grande erro.

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